20.1.07

P.168: Viagens no tempo

As viagens no tempo são das melhores que podemos empreender. Não digo as melhores, por falta de certeza ainda, mas das melhores, afirmo-o com toda a segurança.

As visões do futuro que a ficção científica nos vai propondo, são tão frias e mecânicas, que não me despertam vontades de antecipação, antes me aconchegam ao presente conformado com a progressão que o tempo destinado me conceder…

Mas em direcção ao passado sempre viajei muito! Quando ao romance lido ou ao conhecimento da História se associava uma visita ao lugar, ouro sobre azul! (Imaginam uma miúda de 16 anos, a visitar a Galeria dos Espelhos, em Versalhes, sentindo-se entre as favoritas do Rei Sol?! :-) Já me aconteceu…!)


Bom, no momento, releio Mensagem, de Fernando Pessoa. E a propósito recordo as minhas idas a Marrocos. A desilusão de Ceuta, apesar de alguns vestígios. A visita à Fortaleza de Fez onde, supostamente, o nosso desafortunado Infante D. Fernando, abandonado por todos, pagou com a vida o não honrado compromisso português. E a procura inglória de Alcácer Quibir, que, na altura, ninguém me soube indicar, mas que, vejo agora, na mágica aproximação do Google Earth, tem direito ainda a figurar no mapa! Ficará para uma próxima viagem no tempo, nem que o nevoeiro seja só uma nuvem de pó, num terreno árido que só para mim se revele encantado…!

D. Sebastião, Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza:
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa

Duvido muito do merecimento do nosso jovem rei louco. Mas quem não quereria cumprir um destino fatal só para merecer um poema assim…?!

4 Comments:

Blogger -pirata-vermelho- said...

Pois é, a gente aportuguesa tudo; mas sem sentido de fundo - é só p'o retrato!

Já era assim 'naquele' tempo?

E quando se começa a saber que OS MOUROS! cá na península, tinham nome e apelido e estrutura pessoal e social?
Nunca me esquecerei desse primeiro embate que me confrontou com o facto de os mouros afinal não serem apenas OS MOUROS e de que, então, não poderiamos nunca (poderiamos?!) enfim... quem aqui vivesse, não poderia nunca falar com tal sobranceria ou displicência.

janeiro 20, 2007 11:55 da tarde  
Blogger Maria Manuel said...

Sim, sim.
Quando a gente toma consciência que o tempo da presença muçulmana no nosso território foi banido da história oficial que nos ensinaram e só recentemente, e muito lentamente, resurge... (em Mértola; em Tavira...) surpreende-se, até pela própria desatenção!

janeiro 21, 2007 12:16 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Gostei muito desta tua viagem no tempo. Aconteceu-me sempre em pequena, ir "lá", à Suécia, à terra do Feiticeiro de Oz, às "Mil e uma noites", à Malásia do tigre, sei lá! E tb tenho a mania de ir aos mapas ver "onde"... A foto é mesmo de 68, se gostares tenho mais algumas e posso mandar-tas por mail, para teu/meu recreio, unicamente! Bjinho

janeiro 21, 2007 3:15 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

:) Por vezes tb viajo com o google earth:) :)
Outras vezes penso que nasci na época
errada...tb me vejo em castelos e cheia de magia à minha volta..jinhos

janeiro 22, 2007 11:34 da tarde  

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