P.455: Crónica de dependências declaradas
Na casa dos 40, conterrâneo, conhecido de vista, de sempre, nunca antes me dirigira a palavra.
Ontem veio, olhar vago e tratando-me por “minha senhora”, pedir dinheiro para o autocarro. A mão trémula recolheu a moeda que a minha, triste no gesto, ali depositou. Nem um agradecimento. A dádiva ficara aquém do preço da sua viagem…
Para mim o custo maior é em tristeza. Vêm, encadeadas, as histórias deprimentes de misérias conhecidas, destas e doutras naturezas. Fico entre fantasmas e almas penadas, debatendo-me em defesa do precário lenho de optimismo que me resta neste naufrágio que é viver…
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2 Comments:
Muito belo este teu texto.
Pujante. Certeiro como uma pedra, nessa angústia que sabemos como é.
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