27.1.08

P.389: Obviamente...

Humberto Delgado com uma capa negra oferecida por um estudante vilarealense, junto ao monumento a Carvalho Araújo, 22 de Maio de 1958.
(Fotografia daqui).
Uma das coisas boas da profissão é a procura constante e as descobertas que se fazem por esses caminhos. Foi assim que desencantei esta fotografia, testemunho da passagem de Humberto Delgado por Vila Real, um acontecimento que deve ter sido recordado na família mais do que uma vez, na minha infância, mas de que não tinha memória.
Arrancou-me um sorriso. Imaginei com agrado, não sei se acertando com a verdade dos factos, esta cidade, geralmente tão acomodatícia, vibrando num comício de esperança e adrenalina…! Terá sido? Não deixarei de perguntar.
Percorri depois, e pasmei, a biografia do general. Quando se enfrenta um regime ditatorial sem medo, se responde sem papas na língua “Obviamente demito-o!”, falando de Salazar, e se morre tragicamente assassinado, a tendência dos vindouros é conhecer apenas essa face mais visível e espectacular de herói. Mas a vida de Humberto Delgado foi toda ela cheia, bem vivida, plena de sucessos, no duplo sentido de coisas acontecidas e de glórias alcançadas.
Veio-me à ideia aquele concurso de grandes portugueses que aqueceu alguns ânimos nacionais o ano passado e tive curiosidade de ir ver em que posição ficara o General Sem Medo, que, forçosamente, teria que constar da lista de nomeados: 28º!... E ganhou o seu opositor, provável responsável máximo da sua sentença de morte…

1 Comments:

Blogger Spectrum said...

Penso que a figura de H. Delgado está extrapolada e sobrevalorizada. Na verdade foi um delfim de Salazar que estava directamente na linha de sucessão, qual monarquia. Se ainda fosse vivo acredita que não andaria longe da direita mais extremista. tal como Spínola.
Quantos tombaram ingloriamente e os nomes foram esquecidos?
Um abraço

janeiro 29, 2008 4:24 da tarde  

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