14.2.08

P.396: Love is in the air?

S. Valentim
A “tradição” pode ter sido artificialmente criada, importada, comercial. Mas a verdade é que os mais novos, nascidos já em pleno andamento desenfreado da engrenagem do consumo fácil, aderiram completamente a ela. Hoje, no meu local de trabalho, só mesmo as professoras e as funcionárias não exibiam os seus peluches de mil formas e cores e/ou o seu ramo de flores muito elaborado; só mesmo os professores não perfumaram o ar com os aromas oferecidos por namoradas que não brincam em serviço! Garotos que vão da adolescência tenra à pré-universidade, mas que já não fazem a coisa por menos!
Como frequentemente me acontece, fico a pensar na minha geração de pais destes miúdos, que, sem ter conhecido nada desta abastança, se vê agora envolvida nestes gastos adicionais. Que é feito do poema copiado, do coração desenhado, da flor “roubada” num jardim…?!
Tínhamos, nesta escola precisamente, uma tradição gira, mantida por Associações de Estudantes durante uma dúzia de anos, até há dois ou três anos atrás. Era o correio amoroso distribuído neste dia. Tocava a corneta, batia à porta o carteiro, interrompia-se a aula para entregar a cartinha para a menina A ou ao menino B. Às vezes vinha a tuna a acompanhar e, havendo permissão do prof, fazia-se uma pequena serenata. Quantos tímidos não aproveitaram o ensejo? Quantos amores secretos não se revelaram assim? Quantos namoros desta forma começaram?
Mas não. Era muito trabalhoso… As actuais A.E. acharam, talvez, a coisa kitsch ou naïve… e, sobretudo, muito cansativa: recolher e distribuir todo esse correio, recrutar músicos ou preparar os disponíveis, ufa, demasiado!... E lá se foi mais um ritual simples, verdadeiro e pouco dispendioso.

1 Comments:

Blogger Carlos Barros said...

umh ..já passou..já pasou
beijo

fevereiro 17, 2008 12:10 da manhã  

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