24.11.06

P.122: Afinal...

Quem convive com adolescentes facilmente se rende às coisas bonitas da sua cultura. Estou a pensar em hip-hop e em grafittis e não foi sem surpresa que me vi galgar a estranheza das primeiras impressões distantes, para ouvir realmente e ver com olhos de ver.
Há de tudo, claro. Mas quanta riqueza em algumas mensagens, por entre a floresta dos palavrões e as manchas nítidas das cores! Misturam-se a raiva, a irreverência – quem viveu a adolescência sem elas, alguma lhe há-de sobrar para a vida adulta… – uma visão crítica do Homem e muito, muito sonho.
Porque reúno as duas artes no mesmo texto? Apenas por não ter matéria para discorrer sobre elas em separado. Não porque lhes falte riqueza, mas porque me falta a mim conhecê-la.
(Gentilmente cedido pelo Rui, o autor)
Só mais uma coisa. Todos sabemos o grande "dói" do grafitti: ser uma arte de rua, geralmente não consentida e poluidora. Os verdadeiros amantes e artistas também não apreciam esse mero rabisco irritante, que apenas suja sem nada dizer. A nova fórmula é, a troco de poderem expressar-se livremente, sem suportarem os custos, mas também sem nada receberem, decorarem muros e paredes "encomendados". Já o vi em lojas, clubes, parques radicais... e o resultado pode ser uma boa alternativa ao monocromático cimento ou à tinta desgastada!
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
[Isto agora fui eu a aproveitar-me de Saramago... :-) ]

6 Comments:

Blogger -pirata-vermelho- said...

Põe-se sempre a questão da forma e do conteúdo, aqui e em parte fora do âmbito da semiótica - reduzindo: se o tema-conteúdo e o discurso associado (a imagem) se socorressem da forma como a descreve-elogia estariamos perante um acto aplicado com valor semântico e crítico; de outro modo, ao contrário, teremos uma degradação da comunicação na medida em que o referido é vão, por se tratar de uma tautologia ou por ser epidérmico, não arquitecturado ou de aplicação sectorial - eventualmente uma gíria efémera ou mera imitação de processos, vazia.

Contemplem-se, em tod'o caso, as excepções!

novembro 24, 2006 5:40 da tarde  
Blogger -pirata-vermelho- said...

Desculpe um certo desvio do tema. É que não tinha visto todo o texto que aparece abaixo da imagem...

O meu comentário aplica-se pois na parte, apenas.

Desculpe !

novembro 24, 2006 5:42 da tarde  
Blogger Samurai Tzu said...

Graffiti arte marginal porque empurrada para isso. é pena porque existe muito talento nessa forma de expressão.acho que seria muito útil haver nas cidades, locais determinados para o graffiti.
já vários artistas,nomeadamente na pop art, começaram pelo graffiti.
exemp:basquiat beijo

novembro 24, 2006 6:35 da tarde  
Blogger -pirata-vermelho- said...

( Veja
As Formas do Conteúdo
UMBERTO ECO
Editora: Perspectiva
ISBN: 852730158X

e o apontamento
http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/I/interpretacao.htm )

novembro 24, 2006 6:42 da tarde  
Blogger Irene said...

Também eu não conheço a matéria a fundo para poder discorrer sobre essas manifestações juvenis, que podem perdurar para além da fase da adolescência... Apenas como observadora posso salientar o efeito visual/sonoro que transparece desses tipos de comunicação e apreciar que cada geração possui uma riqueza íncomparável que merece ser compreendida ou, pelo menos, aceite, na medida em que contribui para esse pluralismo de linguagens e ideias.
Penso, contudo, que, como em qualquer área, haverá os genuínos e os pseudos.

novembro 24, 2006 7:10 da tarde  
Blogger Ana R. said...

Concordo inteiramente!! Quando li o Memorial, aquela história de amor comoveu-me e a personagem de Blimunda é tratada com o mesmo protagonismo q Sete Sóis. As mulheres de Saramago são sempre Inteiras e retratadas com todo o respeito e Amor.

novembro 25, 2006 3:29 da tarde  

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