2.1.06

Página 42: Diálogo Saramaguiano II

Ele não é um homem vulgar, E daí, Daí que não suportou que eu o tratasse como tal, Achas, Tenho a certeza, é excepcionalmente bonito, Olha o que dizia a avó Ana, Que dizia a avó Ana, Que boniteza não se põe na mesa e que na cama, de luz apagada, são todos iguais, Não falo dessas bonitezas, nem de subsistência, mas de amor e não é verdade que sejam todos iguais, E de que bonitezas falas, Das que vêm de dentro, E é bonito por dentro, Muito, Eu não acho que seja, Que sabes tu que nem o conheces, Sei o que vejo nesse teu olhar perdido, O meu olhar perde-se sozinho, o mal está em mim, Detesto homens bonitos que te põem nessas certezas tristes, parecem-me feios, digas o que disseres, Eu digo que não é um homem vulgar.

3 Comments:

Blogger sem cantigas said...

O homem que amamos nunca é vulgar! ora isso é o que tu dizes... Achas que alguma vez amaria um homem vulgar! ora que venha bem vestido e bem falante... Tás cega só vês por fora! ora tás tola só vês por dentro...ELE NÃO É VULGAR EU AMO-O!ora não te dizia...E a mim será que me ama sou tão vulgar.

janeiro 02, 2006 4:07 da tarde  
Blogger Sergi-Domenech Ferrer i Vernau said...

Ótima a imitação do estilo, se me permite o comentário.

janeiro 05, 2006 10:51 da manhã  
Blogger sem cantigas said...

o príncipe é um príncipe!

janeiro 07, 2006 12:19 da manhã  

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