17.3.08

P.404: Uni.form.idades

Viajava à minha frente no autocarro, proporcionando-me, não muito acima do encosto da cabeça, sinal de pequena estatura, uma visão próxima da redondela da careca, orlada de curtos e pouco abundantes cabelos brancos. Andaria pelos 70-80 e como o trajecto prometia demoras, desdobrou o amplo jornal sem constrangimentos de espaço, já que se sentara sozinho nos dois lugares disponíveis.

Se prestou muita ou pouca atenção à leitura das primeiras notícias, não poderei dizê-lo, embalada pelas divagações em que me lanço quando, para lá do vidro, corre uma paisagem bonita mas sem surpresas. Não sei, por isso, há quanto tempo o homem estacionara naquela artigo que o meu olhar, regressado ao interior da camioneta, apercebia por entre os dois bancos: uma bela loiraça, provocante e nua, enchia por inteiro a página onde o tipo, demoradamente, lia, talvez nas formas, na pele… na memória?... os encantos daquela notícia fresca!

Sorri. E as minhas cogitações seguiram um outro rumo em que, confesso, o sexo oposto, com a sua bastante ampla uniformidade reactiva, sem diferença de classe, cultura, proveniência, idade... , não saiu muito lisonjeado… :-))

1 Comments:

Blogger Spectrum said...

Ora, e porque não saiu lisonjeado? Não é o belo para se ver?
Um abraço

março 17, 2008 6:55 da tarde  

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