24.4.07

P.237: A Paixão Segundo S. Martinho de Anta

Quem poderia adivinhar que Paulo Castro, ainda há uns anos – que parecem sempre poucos – um rapazinho cabisbaixo, que percorria as nossas ruas cosido com as paredes e muros, se tornara num cineasta “reconhecido”?! Mas, sobretudo, quem poderia imaginar que hoje cidadão do mundo, vivendo na Austrália, passado por Berlim – segundo foi noticiado no anúncio da estreia do filme –, guardaria uma tão grande amargura, uma mágoa funda, quem sabe se mesmo um ódio visceral, ou qualquer outro conjunto de nome soturno e adjectivo intensificador, contra estas terras de origem, as suas gentes, o escritor Miguel Torga?!! Difícil saber, difícil descortinar porquê. Foi, no entanto, a impressão forte que me ficou da sua aparente homenagem ao autor de Bichos, com o pseudofilme «A Paixão Segundo São Martinho de Anta». Retire-se-lhe uma dúzia de fotografias bonitas, expostas como em parede de galeria, e dois ou três depoimentos genuínos e esqueça-se o resto!
Se tiver oportunidade de ver, não veja! Os transmontanos e amigos de Torga agradecem.
(Ilustração: Teatro de Vila Real)

15 Comments:

Blogger Unicus said...

Não vi. Onde se pode ver tal coisa?

abril 25, 2007 1:36 da manhã  
Blogger Maria Manuel said...

Foi exibido no Teatro de Vila Real, na segunda-feira, 23 de Abril, e não sei que destino lhe está reservado...

abril 25, 2007 9:35 da manhã  
Blogger aDesenhar said...

não vi
e ainda bem.

o melhor destino será o esquecimento,
que é a solução ideal nestas ocasiões.

o Paulo deve ter um trauma qualquer.
depois da Austrália,
eu aconselhá-lo-ia a viver durante 1 ano na Somália ou mesmo na Nigéria.
nem preciso dizer porquê.
:|

abril 26, 2007 2:57 da manhã  
Blogger Paulo Castro said...

Estando eu aqui na Australia a viver calmamente,qual es o meu espanto quando entro no google e lei-o uma critica sua acerca do meu filme Paixao segundo s.....A minha surpresa foi total pois nao porque nao gostou do filme tem todo o direito mas por iventar que guardo odio as gentes de tras os montes...pura mentira pois nao foi essa a ideia.Ja agora aconcelho-a a ver os filmes do Sukorov,Bartas e Ostroniev.
Quanto aos insultos de eu ir viver para a somalia ou Nigeria enfim so mostra a vossa falta de humildade.Pois esses paises sao muito dignos de serem habitados.
A questao na sua critica com um ponto de ? acerca do meu reconhecimento acerca de eu ser realizador deixe-lhe dizer que o meu filme Caes Raivosos passou por inumeros paises onde teve um enorme sucesso.
Paulo Castro

abril 26, 2007 12:42 da tarde  
Blogger Paulo Castro said...

Quanto ao seu comentario do tipo ...(quem diria que o rapazinho...bla bla) Nao sei se sabe mas eu sou formado em cinema desde 1992 e para mais tenho uma actividade enorme em teatro o que me permite dizer o seu comentario esta um bocado desatualizado.
Quanto ao filme em questao de que fala deixe-lhe dizer que ontem foi estreado em Berlin com estrondoso sucesso(so pelos emails que recebi)Quanto ao destino desse filme deixe-lhe dizer que nao passara por ai mas por uma carreira internacional.Os meus trabalhos tem uma dimensao internacional coisa que muitos artistas Portugueses nao conseguem.E para mais deixe-lhe dizer que nao estou na Australia a apanhar banhos de sol mas sim acabei de fazer um espactaculo em Melbourne e preparo-me para dirigir um texto de Sarah Kane aqui em Adelaide.
E para lhe demonstrar que o meu trabalho es mais do que internacional deixe-lhe dizer que nos proximos meses o meu trabalho passara por Berlin,Madrid,Barcelona,Paris,Rome e Vila Real..sim VILA REAL como ve gosto de Vila Real informo-a que o meu proxim o filme longa metragem vai ser todo rodado ai e escrito com o Rui Pires Cabral,por isso nao espaculke coisas acerca de mim.Vai dizer que so porque meti Einsturzende Neubaten no filme do Torga,es uma falta de respeito aos transmontanos....va ao pioledo e conheca a realidade de tras os montes.
Resumindo nao estou chocado por nao ter gostado do filme,tem todo o direito,todo o meu trabalhos es sufeciente polemico para criar amores e odios ,mas por favor nao comente coisas que nao viu ou pelo menos nao aconce-lhe as pessoa a nao irem ver,pois todos tem o direito de ver os filmes falhados ja dizia o Godard es nos filmes falhados que encontramos a arte.E termino com um pensamento do Tarkosvsky acerca de cinema os filmes sao paisagens mudas para serem saboreadas,quem nao as entender enfim contemple pelo menos o espirito que as envolve.
Como ja dizia Heiner Muller o futuro sera a guerra das paisagens o resto nao existe.
Da Australia Paulo Castro o realizador falhado

abril 26, 2007 1:04 da tarde  
Blogger Paulo Castro said...

O filme acabou de estrear em Berlin e ja tem presenca marcada no festival Reykiavik na Islandia seguindo depois para Estrasbourg.
E se puder vou programa-lo na Somalia e Nigeria.
Paulo Castro

abril 26, 2007 1:56 da tarde  
Blogger Maria Manuel said...

A Paulo Castro

Obrigada pelos seus comentários e informações.

Há-de ter reparado que este apontamento sobre o filme consta de um blogue pessoal. Trata-se, portanto, unicamente das minhas interpretações, opiniões, gostos, impressões… que registo com a mesma liberdade com que o Paulo Castro se exprime criativamente, porque ela – a liberdade – existe hoje tanto para os cineastas de extenso curriculum e renome internacional como para os cidadãos anónimos. E porque pode ter-lhe escapado, chamo a sua atenção para uma frase essencial que remete tudo o que digo para o seu lugar: “Foi, no entanto, a impressão forte que me ficou…”.

Quanto ao resto, parece-me que as palavras de um e de outro falam por si sós…

abril 26, 2007 4:56 da tarde  
Blogger Carlos Sampaio said...

Tantas linhas sofrivelmente escritas para contestar uma opinião e publicitar uma celebridade desconhecida, incompreendida e imerecida pelos seus pares.

Volta Eça que não te falta matéria prima!

abril 26, 2007 6:13 da tarde  
Blogger Irene said...

Só agora tive oportunidade de vir aqui com calma.
Para que conste, eu também fui umas das três dezenas de espectadores que se sentaram naquele auditório na expectativa de assistir a uma obra que fizesse, no mínimo, jus à obra do GRANDE escritor transmontano que, tanto quanto eu sei, nunca viveu na Austrália e amou melhor que todos a sua terra e as suas gentes! Consagrou o seu talento, a sua vida, o seu tempo à escrita, com uma humildade que enaltece ainda mais o seu valor literário e que é uma lição para quem a quiser aprender. Nunca saberemos o que M.T. iria pensar sobre este filme (???) realizado por tal cineasta de renome mundial! Mas duma coisa tenho a certeza: nunca, por mais que tente, conseguirá chegar sequer aos calcanhares deste poeta/escritor que soube, naturalmente, «da lei dos homens libertar-se»!
Há nomes grandiosos que permanecem e ultrapassam a memória dos homens... e outros ultrapassam só as fronteiras da sua imaginação.
O meu juízo não terá como alvo a pessoa, como é evidente, apenas o artista enquanto criador duma obra que, ainda bem para o próprio, tem muitos «adeptos»!
Finalmente e, para que não restem dúvidas, não gostei do filme/documentário e gosto de Godard...
E já agora sim: isto vai ser pessoal, se me permite o comentador P.C., aconselho-o a actualizar(aprofundar os seus conhecimentos da língua portuguesa, pois, não será meritório para o país e, muito menos para Trás-os-Montes, «expandir» a língua que lhe ensinou as primeiras e últimas letras, de forma tão incorrecta (mesmo vivendo na Austrália e dominando fluentemente a língua inglesa, suponho eu)!!!
E já que estou em maré de conselhos (às vezes calha assim...) aproveite para aprender a técnica da entrevista, caso no seu próximo filme decida incluir este género jornalístico!
P. C., se chegar a ler este meu singelo comentário, retire apenas o que lhe aprouver para melhorar a sua obra, e se assim entender, não retire nada e continue no patamar de elogios dos seus também, suponho, distintos colegas de profissão e prováveis críticos de cinema que fazem disso o seu ganha-pão.

abril 26, 2007 11:10 da tarde  
Blogger Paulo Castro said...

Cara Irene,o meu Portues es mau,porque o meu computador nao tem o teclado devido para escrever o Portugues correcto.
Quero-lhe dizer que nunca na vida pretendi chegar a ser nenhum Torga,o Torga no qual conheci-o pessoalmente em Coimbra quando eu estive a dirigir o TEUC guardo-o na minha memoria as conversas que tive com ele.Por isso es ridiculo dizer que eu nunca chegarei ao seus calcanhares.
Para ja nao sou escritor,sou encenador ,actor e realizador.E para mais o Miguel Torga es um nome imparavel.Acerca do filme ser rodado na Australia foi so a questao de eu fazer questao de identificar as imagens,mas essas mesmas cenas poderiam ser rodadas no Brasil,pais onde acabou por estar.
Se ele iria adorar este filmer ...nao sei...pergunte ao Edgar Pera quando fez o filme Homem Teatro sobre o Antonio Pedro,se o Antonio Pedro iria gostar do filme,esse comentario parece-me bastante complexo.So lhe queria dizer que recebo com humildades todas as criticas que me acabem por fazer tem que ser es construtivas,aquilo que nao admito sao insultos.
Aquilo que eu estava a tentar dizer es que na minha area de teatro nao existe acualmente encenador Portugues a fazer direcoes como eu por este mundo fora,desculpe-lhe dizer mas em Teatro es Verdade.De resto olhe aceito tudo o que diz,respeito tambem por nao ter gostado do filme e respeito tambem aqueles que gostaram do filme e ao que parece nao sao assim tao pucos (pelos emails que tenho recebido)
Deixe-lhe dizer que a obra do Torga es tao universal e grandiosa que esta podera ter lugar na Australia,China,Africa,America,Polo Norte,...fechar um poeta como o Torga so a Tras os Montes es pouco.
Paulo Castro

abril 26, 2007 11:50 da tarde  
Blogger Paulo Castro said...

Maria Manuel obrigado pelo seu esclarecimento

abril 26, 2007 11:52 da tarde  
Blogger Paulo Castro said...

Quanto ao adesenhar dizer que tenho um trauma e desejar que eu va viver para a Nigeria,.
enfim...deixe-lhe dizer,que voce nao me conhece de lado nenhum e para mais nao estou na Australia por vaidade,estive a viver com a minha esposa Jo Stone Australiana em Berlin 4 anos onde trabalhei em teatro e filmes e agora optamos por estar a viver na Australia porque tivemos um bebe,por isso nao diga disparates,em outubro vou ai e se quiser apresento-lhe o meio Vilarealense meio Australiano de nome Angus.

abril 26, 2007 11:57 da tarde  
Blogger Carlos Sampaio said...

Todos os teclados têm vírgulas...

abril 27, 2007 10:26 da manhã  
Blogger Paulo Castro said...

Sou como o Thomas Bernard nao usa virgulas e como o Heiner Muller pontucao nao existe e no entanto sao grandes revolucionarios da literatura.
Ja agora despeco-me de voces com uma lista de nomes de ilustres desconhecidos artistas do mundo underground alternativo e que sao grandes nomes para muitos BENEDICT ANDREW,
TRAGIC FACE,BARTAS,SUNOO,BOREN AND GORE CLUB,GAVIN WEBER,BLACK LUNG,TINO SEGAL,
JOAO GARCIA MIGUEL,OSTONIEV,ANDREAS MULLER,PAOLO DOS SANTOS,CASTALUCCI,
CRISTOPHER MATHALER,MAYENBOURG,GODSPEED,
BROTHERS PRESNIAKOV(Tem um excelente livro de nome terrorismo),JAN FOSSE,LARS NOREN,
DEBORAH LEVY,LETIZIA RUSSO,JOAO GALANTE,
PAULO MENDES,THOMAS OSTERMEYER,JESU,
LAIBACH(Grupo de artistas da ex.Jugoslavia)
EVA MAYER KALLER,XAVIER LE ROY,JEAN MARIE STRAUB,WERNER SCWAB(A este aconcelho uma leitura radical tao radical como a morte dele)
ERNA OSLSNORGORST,....enfim poderia ficar aqui a noite inteira a sitar nomes.Nomes que para voces serao eternos desconhecidos nomes para muito adorados.
Devido ao meu proximo trabalho em residencia artisca longe de computadores despeco-me com um humilde obrigado pelo menos por alguma sinceridade da vossa parte e eu nao estou a ser ironico,posso ser um bocado terrorista mas nao gozo com as pessoas.Bem como disse devido ao meu proximo trabalho Sarah Kane vou ter que ficar fora deste mundo dos computadores,talvez nos encontremos em Vila Real a 16 de novembro no teatro de Vila Real para verem a minha mais recente performance com um travesty de Madrid e no final possamos coversar um bocado pessoalmente,masis uma vez digo nao estou a ser ironico,gostava de vos conhecer pessoalmente.
Cordialmente Paulo Castro e desculpem o meu mau Portugues,

abril 27, 2007 12:40 da tarde  
Blogger aDesenhar said...

paulo castro

é natural que tenha interpretado mal as minhas palavras, vive na Austrália
e já tem dificuldade em escrever e entender o Português.

quanto ao teclado aconselho-o a usar o código ASCII, uma linguagem universal que resolve o seu problema.

quando faço referência à Somália e Nigéria é apenas em termos cinematográficos.
Quanto aos disparates, é bem capaz de estar o P.C. a dizê-los quando diz que vai filmar à Somália e à Nigéria, países que se encontram a ferro e fogo com uma guerra civil pelo meio!
foi precisamente por estes motivos que mencionei estes dois países.
apenas contrastes insignificantes comparados com a vida em V.R. ou em S. M. de Anta.

conheço perfeitamente o Paulo C., assim como também conheço o barro de Bisalhães.
para bom entendedor!...

. final

abril 28, 2007 12:59 da manhã  

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