26.3.07

P.216: PORTUGAL do pequenino...

Os Grandes Portugueses

Dir-me-ão que foi apenas um concurso, que foi manipulado, que é coisa caseira e sem visibilidade... A mim não deixará de me impressionar negativamente, de me envergonhar até, que uma figura mesquinha, falsa, um malévolo e tacanho bicho do buraco, responsável por tanta miséria recente e subdesenvolvimento de que ainda não recuperámos, ganhe um concurso de “grande”…! Nem que fora de “pequeno”, nem que fora o concurso lá do bairro da pobre terra de Santa Comba…! NÃO!!!
E… preocupa-me! Quer dizer o quê, esta votação?! Esqueceu o povo? Saberá quem vota quem foi Salazar?! Mobilizou-se mais um certo sector da sociedade? E com que motivações?! Será possível que os males posteriores tenham mascarado de bem os males do passado?! Depois de mim virá quem de mim bom fará? É esta a memória do povo? Esta a sua compreensão?!...

Para que conste, dos 10 mais votados e por ordem, para mim restam:

1º) Aristides de Sousa Mendes, porque a grandeza maior vem da dádiva sem retribuição, do sacrifício de mais do que a própria vida pelo bem alheio, pelo bem de muitos, de desconhecidos, de seres humanos…! GRANDE, grande Aristides!

2º) Luís de Camões, pelo saber imenso num mundo de ignorantes; por nos ter cantado e honrado; por em estilo grandiloquente ou em verso humilde ter demonstrado conhecer a humanidade como poucos e ser capaz de artisticamente a mostrar aos outros.
3º) D. João II, pelo visionarismo, pela disciplina dos nobres; porque sem a sua ambição e o seu pulso, creio, não teríamos nunca conhecido uma grandeza que nos forrasse de glória o passado, num presente pelintra…

4º) Fernando Pessoa, porque a inteligência e a sensibilidade, juntas, podem ter feito dele o homem infeliz que foi, mas desdobraram-se em composições múltiplas, de personalidades diversas, numa riqueza sem par.
5º) Marquês de Pombal, pela visão esclarecida, traduzida, para mim, em duas intervenções decisivas e dignas de admiração: o papel contra a Inquisição e perseguição dos Judeus; e a reconstrução da Baixa de Lisboa.

6º) D. Afonso Henriques, pelo sonho, pela perseverança e pela matriz pátria.

7º) Álvaro Cunhal, pela coerência, verticalidade, resistência. E pela literatura!

(Imagens da net)

9 Comments:

Anonymous adesenhar said...

foi apenas um concurso e
o povo tem a memória curta
porque
se a RTP fizer outro concurso mas dos
"Pequenos Portugueses" de certeza que alguns destes ilustres voltam a fazer parte dos 10+ ou 10-.

:-)

março 27, 2007 11:40 da manhã  
Blogger Carlos Sampaio said...

1. Luís de Camões – A cultura portuguesa personificada. Não esquecer a lírica.

2. Fernando Pessoa – A alma portuguesa entendida como por mais ninguém. Quando os livros são monumentos.

3. Infante D. Henrique – O símbolo ou o homem ? Como símbolo, o primeiro grande empreendimento científico colectivo da humanidade.

4. D. João II - O empreendedor determinado e obstinado que tanto nos faltou depois. O último rei que mereceu ser Rei.

5. Afonso Henriques . Teimoso, determinado e visionário. O irracional com sucesso. E os grandes sucessos normalmente partem de premissas irracionais.

6. Vasco da Gama – Um líder.

Marques de Pombal – D. João II em ponto pequeno.

Na linha de água...

7. Arisitedes- Romântico. Um impulso de grandeza e generosidade não faz uma obra de homem.

Abaixo da linha de água

8. Alvaro de Cunhal - a capacidade intelectual não chega, sobretudo quando a coerência se mistura com autismo. Ficará ao nível dos homens da primeira república.

9. Salazar – Tacanho e mesquinho e outras coisas más mais....

março 27, 2007 1:27 da tarde  
Blogger Sofia said...

Ao ler o artigo que saiu no JN identifico-me com algumas explicações dadas: "Há um falhanço enorme na educação no pós 25-Abril".

Eu falo por mim, pois aquilo que eu sei desse tempo é me relatado pelos meus pais e avós, nas minhas aulas de História ninguém me falou dessa peça.

Mas também acredito que ele ganhou porque pessoas como eu não votaram no "jogo".

março 27, 2007 2:26 da tarde  
Blogger KIM PRISU said...

o resultado é uma vergonha...

março 27, 2007 10:27 da tarde  
Blogger M. said...

Para mim este concurso foi um absurdo completo, não compreendo que ele se tenha feito. Votar?!!! Misturar alhos com bugalhos? Coisa absurda. E o meu espanto foi enorme com o resultado final: como foi possível?!!!

março 28, 2007 11:38 da manhã  
Anonymous Carlosmaria said...

Num universo de milhões apenas 215000 tentaram votar, o que demonstra bem a enorme importância desta enorme treta, á qual, não sei porquê, ainda alguém dá amargurada importância em resultado nada de feição, ao geito de saudosismos de vento leste, ultrapassados pelo cair do muro de vergonha e opressão, que um dia um tal de ABC ousou sonhar plantar neste Jardim.
Nesta altura do campeonato, tem tanta importância o homem ganhar como qualquer um dos outros perder, a não ser que determinados movimentos interpretem estas maneiras de fazerem gastar bicas+iva em telefonemas, como desejos de voltar ao passado.
Roendo duas amêndoas de minha safra, também gostaria de lá voltar tirando vinte anitos das minhas costas e sabendo o que hoje sei.

março 29, 2007 12:44 da manhã  
Blogger Maria Manuel said...

À laia de resposta(s):
Não se pode, nem se esquece a lírica camoniana. “Verso humilde” é como Camões chamou ao verso lírico, por oposição ao verso épico, considerado, na época mais grandioso.

Deixei o Infante D. Henrique e o navegador Vasco da Gama de fora. O primeiro pelas dúvidas que subsistem em torno desta figura, tradicionalmente símbolo do empreendimento dos descobrimentos marítimos. Vasco da Gama, porque vejo nele, no plano dos navegadores, um pouco o que foi D. Manuel a nível régio: aquele que ultimou e colheu os louros de um trabalho árduo anteriormente desenvolvido; alguém cujo mérito foi sobrevalorizado, muito, diga-se, pela consagração como herói feita na epopeia camoniana. Dito por outras palavras, não nego valor a estes dois grandes portugueses, mas não sei sobre eles razões de primazia.

Sobre Álvaro Cunhal, tenho que reconhecer que me surpreendeu desde o início a sua inclusão nos dez mais votados. Pensei, depois, que a minha surpresa vinha da proximidade temporal. A verdade é que nunca pensei nele como um símbolo nosso. Valorizo as qualidades que enunciei, mas reconheço justeza da denúncia de autismo… É por vezes difícil separar a coerência e persistência da simples teimosia.

Preocupa-me o testemunho da Sofia, porque ela representa a geração mais nova que conhece "em diferido" o tempo do salazarismo e, por isso, mostra a vulnerabilidade e a facilidade com que se "branqueiam" as suas más políticas...

Quanto a Aristides , não posso concordar que seja posta em causa a sua grandeza! O seu acto foi certamente “não programado”, resposta espontânea a uma solicitação do momento e premente. Poderá este facto minimizar o seu valor se dele resultou a poupança de milhares de vidas? Todas as outras 9 figuras pugnaram por algum reconhecimento próprio e tiveram-no já, em vida ou postumamente. Aristides, porém, bem como toda a sua família, foi perseguido e ignorado e, ainda hoje, é figura muito pouco conhecida e só devidamente valorizada a nível internacional, sobretudo em Israel, por familiares dos muitos judeus que ajudou a salvar. Era tempo…

março 29, 2007 1:47 da manhã  
Blogger PhilC said...

Quanto ao
último post acho que há uma revolta generalizada do povo português
contra a injustiça, contra o compadrio, contra a cunha que, mesmo
reconhecendo os malefícios do Salazarismo e a perseguição pidesca
daqueles que se manifestavam contra o regime do estado novo, o balanço
final resulta na simples conclusão de que mesmo mal, mesmo com
repressão mais valia Salazar do que todos os outros.
Na verdade para além do despota, do ditador, estava um homem austero,
preocupado com a independência do país e com a preservação do
património ultramarino.

Mesmo reconhecendo todo o mal perpetrado pelo estado novo, a grande
maioria da população votante, valorizou as virtudes de um ditador que tinha um
rumo para o país.

Confesso que foi para mim uma surpresa, mas não deixo de pensar o que
levou tanta gente a escolher Salazar como a personalidade do Séc. XX.

Há que reflectir sobre o resultado mesmo sendo apenas um jogo.

abril 03, 2007 6:56 da tarde  
Blogger prof said...

Seriam assim tantos a votar em Salazar ou seriam antes poucos a votarem muitas vezes? Nunca vi o programa, não votei nele como não votei em Big Brothers e outros do género. Apesar disso, lamento que tivesse ganho uma figura daquelas. Mas, de maneira nenhuma, acredito que essa seja a opinião da maioria do povo português - essa maioria fez como eu: não viu o programa, não votou e não esteve para gastar dinheiro em telefonemas. Votar - aí nunca falhei! - é nas eleições!

abril 08, 2007 8:14 da tarde  

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